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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Senadores já acumulam no ano quase 500 faltas

Apesar do elevado número, média de ausências dos parlamentares é a menor dos últimos três anos. Confira a lista completa de faltas e presenças no Senado ao longo do primeiro semestre


Dez senadores faltaram a mais de um quarto das sessões do semestre; 
apenas cinco foram a todas as reuniões em que a presença era obrigatória

Os senadores somaram 497 faltas nas sessões deliberativas realizadas pelo Senado entre 1ode fevereiro e 17 de julho, período que compreende o primeiro semestre legislativo de 2015. O número considera apenas as reuniões do Plenário, instância máxima da instituição. Conforme levantamento exclusivo do Congresso em Foco, dez senadores faltaram a mais de um quarto das sessões, nas quais a presença do parlamentar é obrigatória. Somente cinco compareceram a todas sessões.

Apesar disso, em comparação com os dois últimos anos, caiu o número de ausências dos senadores. No primeiro semestre legislativo de 2014, foram realizadas 50 sessões deliberativas (mesmo número registrado neste ano) e as ausências contabilizadas chegaram a 660.

Em 2013, foram 780 faltas para um total de 63 reuniões feitas pelo Plenário para deliberar sobre a criação de novas leis ou a alteração de normas legais já existentes.


Deputado quer obrigar brasileiros a informar o CPF para postar em redes sociais

A Câmara dos Deputados debaterá um projeto de lei que pretende acabar com o anonimato na internet brasileira.

De autoria do deputado federal Silvio Costa, do Partido Social Cristão em Pernambuco, o PL 1879/2015 quer alterar o Marco Civil da Internet para incluir a exigência de guarda do nome completo e número CPF dos internautas que quiserem publicar alguma coisa na rede.

Qualquer site que permita a exposição de ideias teria de armazenar essas informações de seus usuários. A obrigação seria estipulada pelo acréscimo de um parágrafo ao Marco Civil em que se leria: "O provedor de aplicações de internet previsto no caput, sempre que permitir a postagem de informações públicas por terceiros, na forma de comentários em blogs, postagens em fúruns, atualizações de status em redes sociais ou qualquer outra forma de inserção de informações na internet, deverá manter, adicionalmente, registro de dados desses usuários que contenha, no mínimo, seu nome completo e seu número de Cadastro de Pessoa Física (CPF)."

Para o deputado Silvio Costa, "essa simples exigência irá, por certo, coibir bastante as atitudes daqueles que, covardemente, se escondem atrás do anonimato para disseminarem mensagens criminosas na rede". "Além disso", continua ele, "indivíduos que insistirem nesse tipo de conduta serão mais facilmente identificados e devidamente processados."

O projeto está parado na Câmara para análise das comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática e Constituição e Justiça e de Cidadania.
Fonte: UOL

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Vem aí o “Imposto da Internet”. É sério.

Joaquim Levy, Ministro da Fazenda, informa que o governo estuda maneiras de tributar a web.



Sim, é isso mesmo. E a informação é de Rachel Gamarski, no Estadão. Trecho a seguir:

“Com a queda da arrecadação e com as dificuldades de elevar as receitas, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou nesta terça-feira, 28, que tem conversado sobre a tributação da internet. Segundo Levy, “esse é um dos temas globais”. Levy explicou que alguns provedores estão fora das fronteiras e que está sendo discutida uma forma de tributação para o setor. “Cada vez que a economia vai para uma direção, temos que discutir uma maneira correta de tributar essa direção.””
A tributação de um produto ou serviço tem um resultado imediato: os custos desse produto ou serviço ficam maiores e quem pagará a mais são os consumidores. Resumindo, portanto, nós pagaremos mais. Obrigado, Dilma Rousseff!

Fonte: implicante

sábado, 25 de julho de 2015

Dilma vai ao ar dia 06/08 em defesa do PT. #Panelaço marcado!

Além da Presidente, também participará do programa o ator José de Abreu, que milita pelo partido nas redes sociais.


foto: Renato Costa / Folhapress

A informação é de Andréia Sadi, na Folha:

“Meses após ser alvo de um panelaço durante pronunciamento na TV no Dia da Mulher, Dilma Rousseff decidiu gravar para o programa do PT que será exibido em rede nacional no próximo dia 6 (…) O mote do programa será a defesa do PT e do governo. A ideia é argumentar que a situação está ruim, mas ainda é melhor que antes dos 13 anos de administrações petistas no governo federal. O ator José de Abreu será o condutor do programa. Abreu é apoiador do PT e milita ativamente nas redes sociais em defesa da presidente e de Lula, de quem é amigo.” (grifos nossos)

Fica, portanto, a convocação oficial para o panelaço.
Fonte: Implicante


quinta-feira, 23 de julho de 2015

Seleção alemã manda 270 camisas a ONG de crianças carentes, mas Receita intercepta há 9 meses

Schweinsteiger durante jogo com a seleção alemã
A Federação Alemã de Futebol presenteou a ONG Azo, que ajuda crianças carentes na comunidade do Parque Capuava, em Santo André, no ABC paulista, com 270 exemplares de seu uniforme. No entanto, a mercadoria está travada na alfândega brasileira desde novembro do ano passado, e a entidade está com dificuldades para conseguir retirar o equipamento junto à Receita Federal.

Nesta segunda, Guilherme Ferreira Souza, que é um dos dirigentes da ONG e trabalhou como motorista da Federação Alemã durante a Copa do Mundo, chegou ao Aeroporto Viracopos, em Campinas, para retirar a mercadoria que já tenta levar há meses. Mas um erro na classificação do equipamento impediu que ele levasse os uniformes do time alemão embora.

"Trabalhei com a diretoria da federação na Copa de motorista deles. E aí ficamos 30 dias juntos e falei da ONG. No dia que fui embora me deram algumas coisas que já tinha lá com eles e ficaram de mandar mais. Depois de um tempo mandaram um e-mail dizendo que estavam mandando material, e chegou em novembro. Aí tive que fazer todo o processo de importação, mesmo sendo uma ONG, tivemos que tirar toda a documentação e o processo de retirada do material", contou Guilherme aoESPN.com.br.

"O pior de tudo é não conseguirmos retirar o material e não conseguir mais coisas deles. Pois eles queriam ajudar bastante no começo, mas agora, por causa do tempo que demorei para retirar, não dá para saber", continuou.

Desde que a mercadoria chegou ao Brasil que Guilherme vem tentando entender como funciona o processo de importação, mas mesmo assim enfrenta dificuldades. E ainda foi multado em R$ 500.

Em contato com o ESPN.com.br, a Receita não quis dar informações sobre o caso, mas disse que, quando alguém comete um erro de informação, deve-se mesmo pagar uma multa, e só então a mercadoria seria liberada.

"Não podemos fornecer informações específicas sobre o caso por conta do sigilo fiscal, exigido por lei. Falando de forma genérica sobre classificação de mercadorias, podemos informar o seguinte: Quando os importadores registram uma Declaração de Importação, devem indicar a classificação fiscal da mercadoria; Se houver erro, além da correção de informações, o importador deve pagar uma multa. Após o pagamento, a mercadoria é liberada. Esta situação não tem nenhuma correlação com a apreensão ou retenção de mercadorias. Essas medidas extremas só são aplicáveis na hipótese de cometimento de infrações como declaração falsa, interposição de pessoas, ou outras fraudes. O que, pela situação descrita, não parece ser o caso", disse a assessoria de imprensa da Receita.

"Há que se considerar também que muitas vezes o importador pensa que a mercadoria está retida quando sequer houve a formulação de uma declaração de importação, que é o documento que dá início à ação da RFB. Ou seja, não raro, os contribuintes atribuem um retardo na liberação a uma morosidade da RFB, quando a origem é uma inércia sua ou de seus representantes legais", continuou a alfândega, explicando o trâmite burocrático.

Guilherme, por sua vez, conta que aprendeu toda a burocracia exigida para a retirada de importações.

"Durante o processo eu tive que tirar um documento para a entidade, que chama radar, que é o que libera a entidade para fazer a importação. Depois disso fiz pedido de acesso ao Siscomex, um sistema de importação usado por despachantes aduaneiros, e como sou dirigente da ONG consegui isso para mim, essa liberação. A partir daí tive que aprender todo o processo de uma importação, desde conseguir licença dos órgãos de governo até a fazer o pedido na própria Receita. Aprendi a fazer tudo, desde a documentação até a retirada da carga", contou o dirigente da ONG.

Hospedado em Campinas na casa de uma tia, ele tenta retirar os uniformes até a próxima sexta, mas teme que a demora e também a repercussão impeçam os alemães de ajudar a ONG futuramente. Em vídeo publicado no Facebook na última segunda, Guilherme chorou por não ter conseguido a mercadoria e desabafou.

Crianças esperam presentes da Alemanha
"São meses tentando aprender o processo para tirar a doação que ganhamos, as roupas que ganhamos da Federação Alemã de Futebol, que doaram para a molecada da ONG. Mas classifiquei como 'roupas em geral' e o fiscal não deixou eu levar embora, pois deveria ter colocado camiseta, bermuda, quantidade de algodão da camiseta, a quantidade de poliéster da camiseta. Como eu ia saber? Eu entendo que a importação funciona assim, mas ganhamos isso. É para as crianças e é isento de imposto, então não faz diferença nenhuma cobrar, pois será zerado. Mas o fiscal disse que não podia fazer nada e no final descobri que peguei uma multa de 500 reais por ter colocado errado", expressou.

"A gente trabalha com ONG, tentando ajudar a criançada, conseguimos uma doação, coisa pouca, mas ia ser legal para as crianças poder ganhar alguma coisa que veio da Copa do Mundo. Mas não deu, pois a lei no Brasil funciona para deixar o pobre cercado, para prender as crianças e não dar oportunidade mesmo. Às vezes dá vontade de desistir. É tão difícil, tão suado, gastei dinheiro para vir, para voltar e vou ter que pagar multa de 500 reais. E já gastei muito dinheiro para retirar uma doação que a gente recebeu de presente", lamentou, às lágrimas, o dirigente da Azo.

A Azo é fruto de um projeto Seci Social e busca utilizar o futebol como condutor de oportunidades para mais de 2000 meninos, nos mais de 20 anos de atuação, segundo o site oficial da ONG.

"Esta experiência nos levou a pensar na ampliação do binômio esporte e educação para trabalhar a cultura. No desafio de ampliação dos horizontes criamos a AZO, que além de manter o projeto de educação e futebol, quer utilizar seu espaço de forma mais democrática e possibilitar manifestações culturais da comunidade", explica a descrição do endereço eletrônico.

Crianças de ONG aguardavam por uniformes da seleção alemã

Situação no Brasil é como 'filme de terror sem fim', diz Financial Times

A atual situação do Brasil é comparável a um "filme de terror sem fim" devido às crises política e econômica, disse o jornal britânico Financial Times em editorial nesta quinta-feira.


Jornal cita pedidos de impeachment da presidente Dilma,
mas diz que saída "ainda parece improvável"


No texto, intitulado "Recessão e corrupção: a podridão crescente no Brasil", o principal diário de economia e finanças da Grã-Bretanha diz que "incompetência, arrogância e corrupção quebraram a magia" do país, que poderá enfrentar "tempos mais difíceis."

Segundo o FT, "a maior razão" da crise enfrentada pela presidente Dilma Rousseff seria o escândalo de corrupção na Petrobras, desvendada pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Dezenas de políticos e empresários são investigados sob suspeita de participação no esquema de desvio na estatal.

"O Brasil hoje tem sido comparado a um filme de terror sem fim", diz.

Dilma foi presidente do Conselho de Administração da Petrobras entre 2003 e 2010, quando acredita-se que parte do esquema tenha sido realizado, mas nega conhecimento das irregularidades e não foi citada por delatores que cooperam com as investigações.

"Poucos acreditam que Dilma seja corrupta, mas isso não significa que ela esteja segura", diz o jornal, citando os crescentes pedidos pelo impeachment da presidente.

Há suspeita de que parte do dinheiro desviado da Petrobras possa ter sido usado no financiamento de sua campanha eleitoral.

Além disso, diz o jornal, a presidente enfrenta suspeitas sobre contas de seu governo, em manobras que ficaram conhecidas como "pedaladas fiscais."

"Cada um (dos casos) poderia ser suficiente para impeachment", diz o texto, que diz que a saída da presidente "ainda parece improvável."

'Tempos mais difíceis'


O jornal cita, também, a investigação do Ministério Público sobre a suspeita de tráfico de influência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teria ajudado a construtora Odebrecht a conseguir contratos no exterior - que também é investigada pela Lava Jato - e o rompimento do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, com o governo após ter sido citado por um delator na investigação da Petrobras.

"Até agora, políticos em Brasília tem preferido que Dilma siga no poder e assuma os problemas do país. Mas este cálculo pode mudar para tentarem salvar a própria pele", diz o jornal.

Segundo jornal, prisão de Marcelo Odebrecht, presidente da construtora, é exemplo dos resultados "bons" das investigações na Petrobras





O FT escreve, no entanto, que as investigações "demonstram a força das instituições democráticas do Brasil, "um país em que os poderosos se colocam acima da lei". Como exemplo, cita a prisão de Marcelo Odebrecht, presidente da construtora.

"Dilma enfrenta três anos solitários como presidente. Brasileiros são pragmáticos, então do pior cenário de impeachment caótico deve ser evitado. Mesmo assim, os mercados começaram a precificar o risco. Pode ser que tempos mais difíceis estejam adiante do Brasil", diz.

Além das questões políticas, o jornal menciona a situação econômica do país - cujo Banco Central estima retração de mais de 1% neste ano - e elogia Dilma por ter "revertido sua fracassada 'nova matriz econômica'" do primeiro mandato.

O diário cita o aumento dos juros para combater a inflação e os esforços para conter gastos públicos, medidas "necessárias mas dolorosas" que reduziram salários, aumentaram o desemprego, afetaram a confiança de investidores e "demoliram" a popularidade da presidente para o nível mais baixo da história.
(Fonte: BBC)

quarta-feira, 15 de julho de 2015

"Preparem-se porque as coisas vão ficar piores", diz ex-presidente Lula

No diagnóstico de Lula, o estrago foi grande com as buscas e apreensões realizadas em casas de políticos da base aliada, como o senador Fernando Collor


Preocupado com os efeitos da Operação Lava-Jato sobre o governo, que já enfrenta grave crise política, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na terça-feira (14/7) com a presidente Dilma Rousseff e ministros, no Palácio da Alvorada, para montar a estratégia de reação. No diagnóstico de Lula, o estrago foi grande com as buscas e apreensões realizadas em casas de políticos da base aliada, como o senador Fernando Collor (PTB-AL), e o cenário previsto é de mais dificuldades.

"Preparem-se porque as coisas vão ficar piores", afirmou o ex-presidente, segundo relatos obtidos pelo jornal "O Estado de S. Paulo". O encontro começou por volta de meio-dia, com um almoço, e terminou às 16h30. Lula estava furioso com a forma como a Polícia Federal vem agindo e disse a Dilma que ela precisa sair logo dessa agenda negativa. "Você não tem que ficar falando de Lava-Jato", esbravejou Lula, de acordo com dois participantes da reunião no Alvorada. "Você tem que governar, ir para a rua, conversar com o povo, divulgar os seus programas. Não pode ficar só nessa agenda de Lava-Jato e ajuste fiscal."

Antes de se reunir com Dilma, Lula esteve com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Pediu a ele que insista em divulgar as medidas para a etapa seguinte ao ajuste porque, na sua avaliação o governo deve "vender" esperança. Para o ex-presidente, a aprovação de Dilma e mesmo a dele desmoronaram muito mais por problemas na economia do que por denúncias de corrupção na Petrobras. Lula disse a Levy que o governo ainda erra na comunicação. "O ajuste fiscal não pode ser apresentado como um fim em si mesmo", insistiu. "O que nós temos que mostrar para as pessoas é onde queremos chegar."

A conversa entre os dois foi cordial. Tanto que, no Alvorada, Lula afirmou que as divergências entre Levy e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, sobre a redução da meta fiscal precisam ser contornadas. O ex-presidente cobrou unidade no governo e chegou a elogiar o vice Michel Temer, que comanda o PMDB e é articulador político do Planalto.

Dilma concordou com o padrinho, mas não escondeu a insatisfação com as últimas críticas feitas por ele. Afirmou, ainda, nada poder fazer em relação às investigações da PF. Nos bastidores, políticos dizem que os próximos alvos são os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

Quebrando o gelo

Lula não conversava com Dilma havia quase um mês, desde que criticou a estratégia do Planalto para sair da crise. Num encontro com religiosos, o ex-presidente disse que ele e a sucessora estavam no "volume morto". O receio do governo é que o novo movimento da PF provoque ainda mais tensão no relacionamento com a base, no momento em que Dilma que sofre ameaças de impeachment. Há quem avalie, porém, que, se Cunha e Renan forem denunciados, o discurso pró-saída de Dilma perde consistência no Congresso.

Além de Lula, participaram da reunião no Alvorada os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Edinho Silva (Comunicação Social), Jaques Wagner (Defesa), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral), o governador de Minas, Fernando Pimentel, e o presidente do PT, Rui Falcão. Pimentel é alvo de operação da PF que apura arrecadação ilegal de dinheiro em suas campanhas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Reforma política aprovada pela Câmara dificulta fiscalização de doações

Em vez de aprimorar financiamento de campanhas, projeto da Câmara limita ação do TSE


Passo atrás: Sessão da Câmara que aprovou novas regras para 
o financiamento de campanhas tem, na visão de integrantes do 
TSE, novos obstáculos para a fiscalização - Agência O Globo 
/ AILTON DE FREITAS/27-05-2015
BRASÍLIA — Aprovado na última quinta-feira, o texto base do projeto que regulamenta a reforma política tira poder de fiscalização da Justiça Eleitoral sobre as campanhas políticas. Na avaliação de integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o texto encurta o prazo para investigar empresas ou pessoas que tenham doado a candidatos e partidos acima do limite estabelecido em lei, o que poderia inviabilizar a apuração de irregularidades. Ainda reduz o valor das multas por descumprimento de regras de financiamento das campanhas e acaba com a possibilidade de suspender cotas do Fundo Partidário em caso de desaprovação das contas partidárias, principal sanção aplicada hoje pelo tribunal.

De acordo com o texto aprovado, que ainda poderá sofrer modificações na próxima semana, a desaprovação de contas dos partidos terá como sanção “exclusivamente” a devolução do montante considerado irregular, acrescido de multa de 20%. Em abril deste ano, o TSE julgou contas do PT de 2009 e aplicou como sanção a devolução de R$ 4,9 milhões, além da suspensão de três cotas do fundo partidário. A última cota de fundo do PT, em junho, foi de R$ 9 milhões. Pelo texto aprovado, além de acabar com a suspensão das cotas, a multa ainda poderá ser abatida do fundo partidário.

— Se não tem a penalidade, se não dói no bolso, fica difícil coibir a irregularidade — disse ao GLOBO um integrante do TSE.

Outra preocupação de integrantes do TSE é em relação às doações acima do teto. Pelo projeto de lei aprovado na quinta-feira na Câmara, o tribunal considera que fica praticamente inviabilizada a abertura de processos contra empresas e pessoas físicas que doarem acima do limite estabelecido por lei. Hoje, o Ministério Público tem até o dia 19 de junho do ano seguinte à eleição para fazer denúncias. Pela nova regra, esse prazo seria reduzido em seis meses. Passaria a ser 19 de dezembro do ano da eleição — menos de um mês após as prestações de contas do segundo turno serem entregues.

NOVA REGRA DIFICULTA COIBIR ABUSOS


Para integrantes da Corte, o processo é complexo e não pode ser concluído até 19 de dezembro, já que o TSE tem de agrupar informações sobre doações, repassá-las à Receita Federal, que faz o cruzamento de dados com a declaração da pessoa jurídica à Receita, apresenta o resultado ao TSE, que o encaminha ao Ministério Público.

— Isso impede o TSE de coibir o abuso de poder econômico — afirmou o integrante do TSE.
Hoje, a lei prevê multas de 5 a 10 vezes dos valores que extrapolem o limite estabelecido de gastos ou de doação de campanhas. O projeto aprovado restringe a multa a apenas 2 vezes o valor excedido. A redação do texto aprovado deixa margem para dúvidas sobre a possibilidade de arrecadação de doações em espécie. Em 2006, um ano após o escândalo do mensalão, o TSE proibiu esse tipo de doação para evitar o caixa dois.

Na análise de integrantes do TSE, a nova regra que cria a prestação de contas simplificada é interessante e o próprio tribunal defende a norma em caso de campanhas com gastos até R$ 20 mil e desde que candidato não tenha sido eleito. Mas, no texto do relator Rodrigo Maia (DEM-RJ), foi acrescentado um outro parâmetro considerado bastante questionável: a prestação de contas de prefeitos e vereadores de cidades com menos de 50 mil eleitores será sempre simplificada. No Brasil, segundo o TSE, 92% dos municípios têm menos de 50 mil eleitores.

A ideia original dos parlamentares previa adoção, pela Justiça Eleitoral, do sistema simplificado de contas para candidatos com baixa arrecadação e pequeno volume de gastos — independentemente do cargo em disputa. A inclusão das prestações de contas de prefeitos de cidades de até 50 mil habitantes foi feita à mão, nas negociações de plenário.

A redação do texto aprovado deixa ainda margem para dúvidas sobre a possibilidade de arrecadação de doações em espécie, por mencionar doações “em dinheiro”. Segundo Rodrigo Maia, no entanto, sua intenção não foi de deixar brechas.

— O texto foi redigido pela minha assessoria jurídica. Não foi nossa intenção abrir essa possibilidade. Acho que isso não pode ficar aberto de jeito nenhum. Se há a hipótese dessa brecha, até terça vamos reorganizar com uma emenda de redação — afirmou.

Até as últimas eleições, os candidatos tinham de apresentar duas prestações parciais de contas, que só obrigava a revelar as receitas e as despesas de campanha. Pelo texto aprovado, foi mantida apenas uma das duas prestações de contas parciais. Ela seria feita no dia 15 de setembro — a menos de três semanas da eleição. Em troca, foi incluída uma regra positiva de transparência, que obriga o candidato e os partidos a declararem todas doações até 72 horas após sua arrecadação, mas os gastos seguem ocultos. Para integrantes do TSE isso dificultará o acompanhamento e a evolução do volume de gastos das campanhas.

O relator Rodrigo Maia reclama da falta de diálogo com o TSE antes da elaboração do projeto. Mas, afirma que está aberto para ouvir sugestões até que seja finalizada a votação das emendas, prevista para a próxima terça-feira.

— O tribunal tinha que parar de legislar e dialogar mais com o Congresso. O tribunal existe para se adequar à lei, não é a lei que tem de se adequar ao tribunal. Infelizmente, a Justiça tem legislado muito. Se eles nos convencerem em tempo hábil que há incompatibilidade, não tenho problema nenhum em ouvi-los.

TEMORES NO TSE


Controle de abuso do poder econômico: O projeto de lei aprovado na Câmara praticamente inviabiliza processos contra empresas e pessoas físicas que ultrapassarem o limite de doações para campanhas eleitorais. Hoje, o Ministério Público tem até o dia 19 de junho do ano seguinte à eleição para denunciar. Pela nova regra, esse prazo é reduzido em seis meses. Passa a ser 19 de dezembro do ano da eleição, menos de um mês após as prestações de contas do segundo turno.

Prestação de contas parcial: O texto eliminou uma das duas prestações de contas parciais previstas hoje.

Redução das multas: A lei atual prevê multas de 5 a 10 vezes dos valores que extrapolem o limite de gastos ou de doação. O projeto aprovado restringe a multa a apenas 2 vezes o valor excedido.

Doação em dinheiro: O texto aprovado deixa dúvidas sobre a arrecadação em espécie. Em 2006, após o mensalão, o TSE proibiu para evitar caixa dois.
(Fonte: O Globo)

domingo, 12 de julho de 2015

Metrô do Recife suspende operação após briga de torcidas danificar trens

Dois trens foram depredados antes e depois do jogo entre Náutico e Santa. Metrô para neste domingo e só retoma circulação às 5h desta segunda (13).


Janelas de trens foram quebradas durante briga de
torcedores (Foto: Reprodução / WhatsApp)
O metrô do Recife vai suspender a operação a partir do meio-dia deste domingo (12), segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). A decisão foi tomada pelo Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (Sindmetro-PE) e acatada pela CBTU, depois que dois trens foram danificadas durante brigas de torcidas registradas no sábado (11), antes e depois da partida entre Náutico e Santa Cruz, na Arena Pernambuco. O transporte ferroviário é usado pelos torcedores como uma das principais formas de acesso ao estádio.

Segundo a CBTU, a circulação de trens só voltará ao normal às 5h da segunda-feira (13). “Como o sindicato decidiu parar ontem [sábado], não tivemos tempos de juntar os maquinistas e fazer uma escala especial. Até porque o pessoal folga nos finais de semana. Nós também estamos sensibilizados com a preocupação dos trabalhadores. É uma situação que está afligindo toda a categoria metroviária”, disse o assessor de comunicação do metrô do Recife, Salvino Gomes.
Com a decisão, os torcedores que vão ao jogo entre Sport e Palmeiras, na Arena Pernambuco, neste domingo (12), não poderão utilizar o metrô. Ainda conforme Salvino, um dos trens danificados faz parte da nova frota do sistema. “É um trem espanhol, com menos de dois anos de comprado. Foram 63 janelas quebradas. Estimamos um custo de ao menos R$ 50 mil para recuperá-lo e não há previsão para que volte a rodar. Temos que entrar em contato com os fornecedores das peças, porque o vídeo do trem é especial, temperado”, explicou.

Além do trem mais novo, que foi depredado por volta das 15h (antes da partida) na Estação Barro, outro equipamento também foi alvo de confusões da torcida entre as estações Rodoviária e Curado. “Também vamos ter que retirá-lo de circulação. O torcedor não tem colaborado com manutenção dos nossos trens e o mais prejudicado é o trabalhador, que utiliza o transporte durante a semana”, comentou o assessor de comunicação do metrô do Recife.

Salvino Gomes acrescentou que a CBTU abriu queixas referentes a todas as ocorrências. “Mandamos as imagens para a polícia também para que tente identificar os envolvidos. Ocorre que desde que a Arena Pernambuco foi criada, ninguém foi preso. Tivemos iniciativa de tratativas de convênio com a PM para reforçar a segurança”, afirmou.

O presidente do Sindmetro-PE, Diogo Moraes, disse que a categoria decidiu parar as atividades deste domingo ainda na noite do sábado. “A gente teme pela segurança dos trabalhadores e dos próprios usuários. Esse movimento se dá por conta da insegurança. Desde fevereiro, março, a CBTU vem firmando parceria com Polícia Militar. Mas ao que parece, esse quantitativo [de policiais] foi bem aquém n sábado, se tratando de um clássico. Tememos que volte a ocorrer hoje [domingo]”, argumentou.
(Fonte: G1)

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Quase 1/3 dos deputados estaduais brasileiros não cursou faculdade

  • Assembleia Legislativa de São Paulo: 73% dos estaduais paulistas foram à faculdade
Dos 1.059 deputados estaduais eleitos em 2014 (incluindo os 24 deputados distritais), 30% (313) não cursou faculdade.

Do total, 4% (46) têm somente o fundamental e 0,5% (cinco) são alfabetizados, leem e escrevem somente. Outros 24% (253) fizeram só o ensino médio.

Os números das assembleias legislativas repetem o grau de instrução do país. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), divulgados na pesquisa Pnad de 2013, somente 8% (16,4 milhões) dos 200 milhões de brasileiros concluíram um curso superior. Outros 7,3 milhões (4%) possuem curso superior incompleto; 20% (41 milhões) das pessoas concluíram o ensino médio; 17,7 milhões (9%) têm o ensino fundamental e 39,4 milhões não têm nenhuma instrução.

O levantamento foi feito pelo UOL a partir dos dados dos candidatos estaduais eleitos em 2014, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Os índices de deputados estaduais com curso superior nos Estados variam de algo em torno de 65% a 75%, dependendo da unidade federativa.

Os deputados estaduais com menor grau de instrução no país são os de Rondônia: dos 24 deputados estaduais, apenas sete (29%) têm o terceiro grau. Outros 11 (46%) parlamentares do Estado têm o ensino médio e seis (25%) têm somente o fundamental.

Na outra ponta, aparecem o Piauí e o Espírito Santo. Dos 30 deputados estaduais capixabas, 26 (87%) têm diploma de curso superior, mesmo índice no Piauí, que também tem 30 cadeiras e 26 (87%) deputados que cursaram faculdade.

O Rio de Janeiro tem 53 (76%) dos 70 parlamentares com curso superior. Em São Paulo, são 69 (73%), contra quatro (5%) que cursaram somente o fundamental. Outros 21 (22%) parlamentares paulistas possuem o ensino médio.

Em Minas Gerais, 58 (75%) dos 77 deputados estaduais têm diploma de curso superior, enquanto 15 (19%) concluíram apenas o ensino médio.

A diferença de grau de instrução entre os deputados estaduais do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul são acentuadas. Enquanto 20 (84%) parlamentares do Mato Grosso do Sul cursaram faculdade, somente 11 (46%) deputados estaduais do Mato Grosso têm diploma universitário. Cada um desses dois Estados tem 24 deputados estaduais.

Situação parecida acontece no Distrito Federal (24 deputados distritais) e emGoiás (41 deputados estaduais). Enquanto 28 (68%) dos deputados estaduais goianos têm curso superior, esse índice chega a 84% (20) entre os 24 deputados distritais.

No Sul, o destaque fica por conta do Paraná: 40 (74%) dos 54 deputados estaduais paranaenses cursaram faculdade.


Fonte: uol

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Situação de Dilma é mais complicada do que a de Collor, diz Boris Fausto

  • 'Por muito menos Collor sofreu impeachment', afirma o historiador Boris Fausto
Boris Fausto, um dos principais historiadores do Brasil, considera difícil relacionar a crise política que enfrenta a presidente Dilma Rousseff com a que derrubou João Goulart, em 1964, conforme fez neste domingo (5) o senador tucano José Serra.

Ele não vê problemas, porém, em fazer comparações com a queda, em 1992, do primeiro presidente eleito após a redemocratização do país, Fernando Collor de Mello.

Na avaliação do historiador, que declarou voto em Aécio Neves, há mais razões técnicas hoje para o impeachment de Dilma do que havia no caso de Collor, sobretudo por "problemas no Orçamento [as chamadas 'pedaladas fiscais'] e no financiamento da sua campanha".

"A comparação com o Collor é interessante porque, por muito menos, o Collor sofreu impeachment", afirmou, em entrevista à BBC Brasil.

Questionado sobre a ausência de acusações diretas de corrupção contra a presidente, Fausto disse que Dilma "fez um esforço no sentido de controlar os piores aspectos da corrupção e dar um rumo para a Petrobras". "Mas o problema é que ela está metida em toda uma instituição política da qual faz parte, não obstante suas supostas e prováveis intenções", completou.

O historiador disse considerar que as acusações de corrupção que contribuíram para a queda de Getúlio Vargas, com seu suicídio em 1954, eram "um laguinho" diante das denúncias envolvendo a Petrobras.

A menção é uma referência à expressão "mar de lama", popularizada na época da crise de Getúlio. Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil - Após indicações de uma possível ruptura entre PT e PMDB e de declarações de líderes do PSDB de que estariam prontos para assumir o país, Dilma partiu para o ataque e disse que não vai cair. Esse tipo de afirmação tende a ter algum resultado político?

Boris Fausto - Algum resultado certamente tem. Ela é presidente da República. Para usar uma linguagem do boxe, ela tentou sair das cordas. Presumo que teria tido uma boa acolhida no PT. Em outros círculos, não acredito.

BBC Brasil - Pareceu um bom passo dentro da disputa política?
Fausto - Não acho que seja um bom passo. Acho que ela teria que falar mais, porque a presença dela em momentos de crise seria muito importante e ela aparece muito pouco. Não gosto do conteúdo. Essa coisa de "eu não tenho medo, venham para a luta" parece um desafio de ginasianos, e não a palavra de uma presidente.

E essa exploração de uma outra época histórica, do fato de que ela tenha sido torturada, presa política, aliás, só a enaltece, mas essa exploração, transportada para o dia de hoje, não faz sentido.

BBC Brasil - O senador José Serra disse que o governo Dilma "é o mais fraco" que já presenciou. "O de Jango [João Goulart, deposto em 1964] era de uma solidez granítica se comparado com o de Dilma", afirmou na ocasião. O senhor concorda?

Fausto - Não concordo em parte. É difícil medir solidez granítica de governo. Acho que o governo Jango, sobretudo na última fase, teve um comportamento muito errático, se enfraqueceu muito e foi derrubado por um golpe. As épocas são muito diferentes, as razões [da fraqueza dos governos] são muito diferentes, as forças sociais em jogo são outras. Não vejo paralelismo.

BBC Brasil - A imprensa teve um papel importante na queda tanto de Jango como de Getúlio Vargas. O PT costuma acusar a imprensa de perseguir o partido e seu governo. Como o senhor vê a atuação da mídia hoje?

Fausto - A imprensa sempre teve um papel importante no Brasil. No passado tivemos algo que hoje não temos: órgãos da imprensa com diferentes posições. Por exemplo, o caso do [jornal] "Globo" em contraste com a "Última Hora" [jornal que apoiava Getúlio]. Hoje não temos isso.

Agora, estou seguro de que essa teoria conspiratória sobre a imprensa manipulando a situação é falsa. A mídia em geral tem tido um papel muito importante no esclarecimento de fatos. Em vez de censurar a mídia, é melhor censurar o comportamento das pessoas sobre quem a mídia fala.

BBC Brasil - No caso do Getúlio houve também acusações de corrupção. Essa seria uma semelhança entre os dois casos?

Fausto - Semelhança muito genérica existe porque o tema da corrupção apareceu nos dois casos, só que o grau de corrupção nos dias de hoje é infinitamente maior do que na época de Getúlio.

E, afinal de contas, aquilo que ele próprio chamou de "mar de lama" era um laguinho comparado à situação de hoje. O que significa que a corrupção é um elemento muito mais importante hoje do que no quadro da queda de Getúlio, o que não quer dizer que o tema da corrupção não tenha sido usado para derrubá-lo.

BBC Brasil - E hoje o senhor também vê alguma "luta de classes" como havia antes? Isso porque o governo também costuma classificar seus críticos como "elite que está contra as reformas do país e preocupada com seus próprios interesses".

Fausto - Pergunta difícil essa. Esse panorama no Brasil é muito complexo. Claro que há interesse se manifestando, interesses das elites. Mas há uma coisa complicada se pensarmos o seguinte: o PT, que expressou a vontade de luta dos trabalhadores urbanos, se transformou num partido cuja principal liderança se uniu às empreiteiras, a ponto de a direção do partido fazer uma declaração em defesa das empreiteiras. Então, tudo isso embrulha muito o cenário da luta política brasileira. É difícil falar que o Partido dos Trabalhadores seja hoje o partido dos trabalhadores.

BBC Brasil - Hoje Dilma tem menos apoio popular que Jango e Getúlio tinham antes de suas quedas. Isso aumenta as chances de ela não terminar o mandato?

Fausto - A comparação histórica não aumenta. O fato de ter um prestígio tão baixo aumenta muito as chances de chegarmos a uma situação de impeachment. A falta de apoio popular, mais a queda enorme do prestígio da Dilma, que no começo do primeiro mandato tinha em torno de 60%, 65% de aprovação, isso, sim, concorre muito para desestabilizar seu governo.

BBC Brasil - José Sarney foi um presidente muito impopular e Fernando Henrique Cardoso também viveu momentos de baixa aprovação, mas ambos não caíram. Que semelhanças e diferenças há entre esses dois casos e o atual?

Fausto - É uma situação diferente. O Sarney tinha problema de legitimidade, foi um nome que esteve integrado na Arena [o partido de sustentação da ditadura militar] e chegou ao poder por conta da morte de Tancredo [Neves, civil eleito presidente indiretamente pelo Congresso]. E o Brasil atravessou um período muito difícil do ponto de vista econômico. As razões de queda da popularidade são compreensíveis, mas o quadro político não foi instável como hoje.

BBC Brasil - E no caso de Fernando Henrique? Ele também viveu momentos de baixa aprovação, houve o "Fora FHC".

Fausto - O FHC viveu momentos de desaprovação, principalmente no segundo mandato, quando enfrentou uma situação econômica também adversa, o desemprego subiu muito. Na verdade, com ele acontece uma coisa curiosa, e eu vou repetir uma frase dele porque eu acho boa. Ele, por muito tempo, perdeu a popularidade, mas não perdeu a credibilidade.

BBC Brasil - A democracia brasileira, embora ainda muito nova, superou bem o impeachment de Collor. A leitura predominante hoje é de que a queda do presidente foi justa e correta. O governo Dilma acusa os que propõem o impeachment de golpistas. Um impeachment hoje tem fundamento constitucional ou seria um golpe?

Fausto - O impeachment é uma coisa prevista na nossa legislação, não é um golpe de Estado. Mas é preciso considerar que o impeachment é sobretudo um instrumento político. O que significa que exista uma forte tendência a acreditar que o governo não tem condições de continuar. E, mais do que isso, é preciso indicar as razões porque isso acontece. Agora, a Dilma está cercada de razões dessa natureza - problemas no Orçamento [do governo], no financiamento do partido, da campanha dela.

Então, é preciso não se antecipar porque estamos vivendo aí numa tempestade, mas que existem razões para um impeachment, razões técnicas, eu acho difícil contestar. A comparação com o Collor é interessante porque por muito, muito menos, o Collor sofreu o impeachment.

BBC Brasil - É que no caso do Collor o acusam de ter sido corrupto em causa própria. E a presidente sustenta que a biografia dela é limpa, que ela é honesta. Não seriam então duas coisas diferentes?

Fausto - Eu já disse que Dilma fez um esforço no sentido de controlar os piores aspectos da corrupção, dar um rumo para a Petrobras. Mas o problema é que ela está metida em toda uma instituição política da qual ela faz parte, não obstante as suas supostas e prováveis intenções.

BBC Brasil - Volta a discussão hoje no país a adoção do parlamentarismo, defendida principalmente pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e também por José Serra. O sistema foi adotado no governo Jango, como forma de retirar força do presidente. O que acha da discussão hoje?

Fausto - É preciso ver em que condições se adotará. Tenho muito receio da adoção do parlamentarismo, não do ponto de vista abstrato da qualidade de um sistema político dessa natureza - o parlamentarismo tem muitas virtudes. Mas fico imaginando se, com uma instituição como o Congresso Nacional, a presença no país de 32 partidos, a gente tem um arcabouço constitucional que possa sustentar um verdadeiro parlamentarismo.

BBC Brasil - E, quando o senhor fala dos 32 partidos, se refere a possíveis dificuldades na construção de alianças?

Fausto - Você vê as dificuldades que temos hoje num sistema presidencialista em que o Congresso ganha muita relevância - toda a falta de coerência, a criação de partidos que são simples balcões em busca de interesses. Tudo isso torna muito arriscada a implantação do parlamentarismo.

BBC Brasil - Qual sua opinião sobre Eduardo Cunha, uma figura polêmica, que despontou com muita força?

Fausto - Eu não o conheço suficientemente, prefiro não opinar. Vou dizer só uma coisa: o Eduardo Cunha conhece o regimento da Câmara muito bem. Ele sabe usar, e aí, veja você, mais um dado para que a gente fique com uma pulga atrás da orelha sobre o parlamentarismo.

Fonte: uol

Governo escondeu dados da pobreza no país por causa das eleições

A confirmação do que todos suspeitavam decorre do depoimento prestado à Justiça Eleitoral por Herton Araújo, ex-diretor do IPEA.



O Brasil apresentado por Dilma Rousseff e pelo PT nas eleições não era nosso país real, mas sim uma obra de ficção. Isso já sabemos, especialmente a essa altura do campeonato e da crise econômica.

Mas a maquiagem foi ainda pior: Herton Araújo, ex-diretor do IPEA, prestou depoimento à Justiça Eleitoral dizendo que o governo impediu o instituto de divulgar dados negativos sobre as verdadeiras condições de pobreza no país.

A seguir, trecho de reportagem de Andréa Sadi e Gabriel Mascarenhas, na Folha:
O ex-diretor do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Herton Araújo contou à Justiça Eleitoral que foi impedido de divulgar, durante a campanha de 2014, dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2013 que mostravam aumento da extrema pobreza no Brasil.
Uma das formas de Dilma perder o mandato é ser condenada pela Justiça Eleitoral. Torcemos por isso. E pelo impeachment. E também pela renúncia. Torcemos por qualquer medida que, dentro da lei, permita afastá-la da Presidência da República. A que vier antes, de preferência.

Fonte: implicante

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Especialistas alertam: pacientes devem parar com as dietas ‘detox’

Raymundo Paraná, professor titular de gastro-hepatologia da Faculdade de Medicina da UFBA, e Raul Cutait, professor associado do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da USP e também membro da Academia Nacional de Medicina, escreveram um artigo publicado pela Folha de S.Paulo em que fazem um alerto sobre as substâncias que prometem um corpo perfeito. Segundos eles, isso é prejudicial.

Paraná e Cutait destacam a falta de apelo científico das dietas que circulam pelas redes, as quais não apontam os possíveis riscos à saúde. Os especialistas, por outro lado, não condenam o culto ao corpo, desde que seja em função da busca por uma melhor qualidade de vida. Confira abaixo um trecho do artigo:

Especialistas alertam sobre os possíveis riscos à saúde diante de dietas "detox"

Não é incomum o uso de mais de uma dessas substâncias, tais como anabolizantes injetáveis, oxandrolona e hormônio de crescimento. De forma isolada ou combinada, eles podem aumentar a massa muscular, mas criam um considerável risco de morte súbita por infarto, arritmia cardíaca ou hemorragia cerebral, além de problemas como insuficiência renal, tumores do fígado e distúrbios de coagulação.

Essa lista inclui também as chamadas dietas "detox", cujo suposto efeito seria a retirada de toxinas do organismo associada à perda de peso. Nesse grupo não há padronização e ainda associam-se diferentes práticas, incluindo lavagens intestinais que, além de ineficazes, podem causar perfuração intestinal.

#FiqueAtento

#FiqueAtento


Professores se sentem obrigados a cumprir funções antes delegadas aos pais

Crianças têm dificuldade em lidar com hierarquia em sala de aula, e professores se queixam de passar muito tempo mediando conflitos


As más condições de trabalho às quais os professores são submetidos é apontada como uma das principais pautas rumo à melhoria da educação. Além da questão salarial e da falta de recursos nas escolas, outra reclamação frequente dos docentes é a pouca participação dos pais na rotina escolar das crianças.

Exigência é que professores não ensinem apenas conteúdo, mas também valores morais

Um estudo feito produzido pela pesquisadora Elaine Cristina Mourão, da FE (Faculdade de Educação) da USP, concluiu que a dificuldade dos pais imporem autoridade perante seus filhos é um fator que pode afetar o ensino, fazendo com que professores enfrentem situações de mau-comportamento e desobediência, além de se sentirem excessivamente responsáveis pelo desempenho dos alunos.

Com o objetivo de entender, através da psicanálise, algumas das queixas compartilhadas pelos educadores, a pesquisa entrevistou professoras que atuam no ensino fundamental I. Elaine, que também é professora desta etapa escolar, afirma que indivíduos do século 21, como reflexo da sociedade em que vivem — chamada de pós-moderna por alguns autores —, primam mais pelos prazeres próprios do que pelas obrigações sociais. É o que a psicanálise chama de “funcionamento perverso”. “Não há um encontro pleno entre o que as pessoas desejam e o que a sociedade espera”, explica a pesquisadora.

Devido ao funcionamento perverso, os indivíduos se acostumam a obter sempre o que querem, e um dos resultados desse comportamento é a chamada “crise de legitimidade”. Nesse contexto, adultos têm mais dificuldade em dar ordens às crianças, e estas, por sua vez, relutam em obedecer aos comandos.

Segundo Elaine, tal situação vem se repetindo também em ambiente escolar. “Uma das questões que os professores destacam é que as crianças não obedecem mais”, afirma a pesquisadora. “Se na cena familiar as crianças acabam reinando, e se seus desejos e necessidades acabam se tornando algo que vence, elas esperam que isso ocorra também na escola”.

Os relatos das professoras entrevistadas reafirmam esse ponto. “As professoras destacam que falar com os pais de uma criança, hoje, não resolve muita coisa, porque os pais têm essa dificuldade em colocar limites”, diz. Tal situação intensifica o mau-comportamento dos alunos, e faz com que os professores passem mais tempo intermediando conflitos do que, de fato, ensinando o conteúdo previsto.

Educação X Ensino


O estudo também ressalta que a sociedade pós-moderna, através do discurso técnico-científico, exige que os professores não só ensinem os conteúdos escolares aos alunos, mas que também se ocupem de sua educação, ou seja, da transmissão de valores.

Contudo, Elaine aponta que essa missão dupla vem se tornando um fardo muito grande para os docentes. “As professoras se queixam de que estão perdendo muito tempo com educação. E quando elas falam educação, se referem a essas coisas básicas, de que as crianças não sabem se sentar a mesa, não sabem ouvir as pessoas, não conseguem fazer silêncio”, diz.

É o que mostram alguns dos relatos presentes na pesquisa de Elaine. “Tem problemas de comportamento, que são crianças totalmente sem limites. Apoio e participação dos pais muito pouco, né”, aponta a professora Fernanda, uma das profissionais entrevistadas.

Para a pesquisadora, o fato de os pais trabalharem mais fora de casa e terem menos tempo disponível para participar da vida dos filhos é um dos fatores que agravam esse quadro.

Entretanto, muitos professores se queixam de que alguns pais, mesmo não trabalhando, escolhem se afastar da vida escolar das crianças, ou não concordam quando os professores cobram os filhos de forma mais rígida. O relato da professora Sandra, também entrevistada por Elaine, aborda essa questão.

“Não posso fazer praticamente nada. [...] Se você fala pra ele [o aluno]: ‘você não fez, você bagunçou, você vai ficar sentado’, tem pai e mãe que vem questionar. Mas o aluno pode derrubar sala, quebrar cortina, fazer o que quiser. Então, fica muito complicado”, relatou Sandra.

Outro aspecto abordado pelos professores é o desinteresse dos alunos pela escola. O discurso técnico-científico cobra dos professores o sucesso escolar dos estudantes, mas deixando de lado o papel do próprio aluno — e, consequentemente, de seus familiares — nesse processo.

Assim, os professores são obrigados a tentar conquistar a criança, convencendo-a da importância do aprendizado e tornando o conteúdo mais atrativo. Para isso, os docentes utilizam-se dos chamados “meandros da sedução”. “Os professores vão transformando a aula, fazendo negociações, contratos, tentando transformar a aula num show para conquistar os alunos”, diz Elaine. “O ensino deixa de ter sentido enquanto algo que engata no desejo do ser humano, e passa a ser algo que tem que atender a uma necessidade motivacional”.

De acordo com os educadores, os pais não auxiliam na tarefa de mostrar aos pequenos o respeito pela escola. “Antes os pais conseguiam fazer com que as crianças chegassem na escola e entendessem que ali é um lugar que elas deveriam ir para aprender. Mas hoje, as crianças vão para a escola com outras demandas”, afirma a pesquisadora.

Contudo, o estudo ressalta que a culpa pelos conflitos escolares não cabe apenas aos familiares, mas a toda a estrutura da sociedade pós-moderna, que não só torna mais conflituosas as relações de obediência, como determina à escola mais funções do que aquelas que são de sua responsabilidade.

“Antigamente, a escola era conteúdista, porque a educação ficava a cargo dos pais”, comenta a professora Raquel, também entrevistada na pesquisa. “Hoje em dia, tudo vem pra educação, todo projeto que a sociedade acha que ta tendo problema, vem pra educação”.



Inflação atinge índice mais alto para junho desde 1996

Taxas de 8,89%, acumulada em 12 meses, e de 6,17%, correspondente ao semestre, são as mais altas desde 2003, segundo o IBGE


RIO - A inflação oficial brasileira — medida pelo IPCA — ficou em 0,79% em junho, informou o IBGE nesta quarta-feira. O resultado é o maior para o mês desde 1996, quando o índice chegou a 1,19%. Segundo sondagem do Banco Central (BC), analistas do mercado financeiro esperavam que a taxa de junho ficasse em 0,74%. Já as taxas acumuladas no semestre, de 6,17%, e em 12 meses, de 8,89%, são as maiores desde 2003.

Em 12 meses, o índice acumula alta de 8,89%, bem acima do teto da meta estabelecida pelo governo, que é de 6,5%, é mais do que em igual período do ano passado (8,47%). O acumulado em 12 meses é o maior desde dezembro de 2003, quando ficou em 9,30%.

No ano, o índice já está bem perto do teto, fechando o primeiro semestre em 6,17%, bem acima dos 3,75% dos primeiros seis meses do ano passado.

Em junho de 2014, o IPCA ficou em 0,4%. A inflação encerrou o ano passado com alta acumulada de 6,41%, puxada por energia e alimentos. Em maio deste ano, o indicador ficou em 0,71%, maior taxa para aquele mês desde 2008.

O grupo Despesas Pessoais foi o que teve maior alta, de 1,63%. O item jogos de azar registrou a maior variação neste grupo, de 30,80%, exercendo o principal impacto individual no índice do mês, de 0,12 ponto percentual. Considerando maio e de junho, a alta foi de 47,50%, devido aos reajustes nos valores das apostas a partir de 18 de maio. Empregado doméstico também foi um item de destaque nesse grupo, com alta de 0,66%.

O segundo mair impacto no IPCA de junho, de 0,10 ponto percentual, veio das passagens aéreas, que subiram 29,19% no mês. O IBGE ressalta, porém, que este item tem resultados instáveis e, no semestre, acumula queda de 32,71%. O item foi um dos responsáveis por elevar a taxa do grupo transportes, que subiu 0,7%. Mas também contribuíram as altas nos serviços de conserto de automóvel (1,7%) e tarifa de ônibus urbano (0,4%). O IBGE destacou que parte desse aumento é reflexo do reajuste de 12,5% nas passagens de ônibus em Belém, em vigor desde 16 de maio.

Entre os preços monitorados, aqueles controlados pelo governo, o destaque foi a inflação da taxa de água e esgoto, que subiu 4,95% e foi o terceiro item de maior impacto sobre o IPCA. O índice reflete reajustes autorizados entre 13 de maio e 20 de junho em cidades como São Paulo, Rio, Salvador e Curitiba.

PREÇO DA ENERGIA E DOS ALIMENTOS DESACELERA

Vilã da inflação no primeiro semestre, a energia elétrica deu uma trégua em junho. O item subiu 0,06% no mês passado, após ter tido inflação de 2,77% em maio. Já a gasolina, que avançara 0,23% em maio, registrou leve deflação de 0,07% em junho.

A inflação de alimentos também desacelerou em junho. Passou a subir 0,63%, após ter chegado a 1,37% no mês anterior. Com isso, reduziu seu impacto sobre o índice pela metade, de 0,34 ponto para 0,16 ponto. Influenciaram essa taxa a trégua de alguns itens que costumam ser os vilões do IPCA. O tomate passou de alta de 21,38%, em maio, para deflação de 12,27%, em junho. Já a cenoura, passou de avanço de 15,9% para queda de 10,78%, na passagem entre esses meses. No acumulado do semestre, no entanto, esses dois itens ainda registram alta de 58,28% e 32,33%, respectivamente.

— Na alimentação, o resultado foi firme. Alta de 0,63% não é irrisório, é um grupo que tem um peso muito grande no orçamento das famílias. Não significa que os alimentos ficaram mais baratos — destacou Eulina Nunes, gerente da coordenação de índice de preços do IBGE.

Com a persistência da alta de preços, o Banco Central tem repetido o discurso de que fará o necessário para controlar a inflação. Recentemente, o Conselho Monetário Nacional (CMN) — do qual o BC faz parte —, reduziu a margem de tolerância da meta de inflação para 2017, que passará a ser de 1,5 ponto percentual para mais ou para a menos. Atualmente, esse limite é de dois pontos percentuais. O centro da meta foi mantido em 4,5%.

No dia em que a medida foi anunciada, economistas interpretaram a redução como uma mensagem ao mercado: o BC quer mostrar que está comprometido a combater a inflação. Pelas contas da autoridade monetária, o centro da meta será alcançado no fim de 2016.

Apesar das sucessivas altas nos juros — uma forma de inibir o consumo e, assim, conter preços —, o mercado financeiro continua a subir suas projeções para a inflação neste ano. O boletim Focus da última segunda-feira mostra que a mediana das previsões para o IPCA do ano subiu pela 12ª semana consecutiva. Agora, a expectativa é que o índice feche 2015 em 9,04%. Para o ano que vem, no entanto, as projeções são mais otimistas, com a inflação em 5,45%.
(Fonte: O Globo)

Falta de batatas leva McDonald’s a servir mandiocas fritas na Venezuela

Restaurantes da rede de fast food também oferecem saladas e mini-arepas como alternativas para os clientes


Os restaurantes da rede McDonald’s na Venezuela estão substituindo as batatas fritas por alternativas como porções de mandiocas fritas, saladas ou mini-arepas (salgado típico do país). As mais de 100 franquias da rede de fast food deixaram de receber carregamentos das fritas congeladas que chegavam dos Estados Unidos.

Os donos dos restaurantes venezuelanos da rede afirmam que a situação é provocada por um impasse entre empregadores e trabalhadores portuários na Costa Oeste americana. Os operários estariam se recusando a realizar os embarques do produto em retaliação.

Lanche do McDonald’s servido com mandioca frita no lugar das tradicionais fritas

A população venezuelana, no entanto, não acredita na explicação e atribui a falta do petisco à crise que se aprofunda a cada dia no país. “A culpa é da situação daqui, que é uma dêbacle total”, afirmou Maria Guerreiro, uma das clientes do McDonald’s na capital, Caracas. Maria foi ao restaurante com a família para comprar um Mc Lanche Feliz para a filha, mas desistiu quando foi informada de que as batatas precisariam ser substituídas.

A caixa especial para crianças vendida pela rede de fast food na Venezuela pode ser a mais barata e a mais cara do mundo, a depender do câmbio utlizado para a conta. Pela taxa de conversão de 6,30 bolívares por dólar – a faixa de cotação oficial oficial mais baixa -, o Mc Lanche Feliz custa o equivalente a US$ 27. Pelo câmbio paralelo amplamente utilizado no país, hoje cotado a 175 bolívares por dólar, no entanto, a refeição sai por US$ 0,90.

John Toaspern, diretor de marketing da associação US Potato Board, que representa os interesses dos produtores de batatas, afirmou que as importações venezuelanas do produto, de fato, caíram bruscamente durante o ano passado. De acordo com Toaspern, nos dez primeiros meses de 2014, a Venezuela comprou apenas 14% do volume que importou no mesmo período do ano anterior.

Em nota, o McDonald’s disse que está tentando solucionar o problema da falta de batatas fritas nas lojas da Venezuela e que, enquanto isso não ocorre, continuará “proporcionando a experiência McDonald’s aos clientes com alternativas 100% venezuelanas”.


Conseguem imaginar o McDonald’s sem batatas fritas? 

Na Venezuela, é a realidade.

Abaixo assinado pede providências para evitar novas mortes por choques elétricos

Documento também exige a punição dos responsáveis


Em menos de cinco dias, duas pessoas morreram no Recife vítimas de choque elétrico em via pública. Para cobrar providências à Celpe, Prefeitura do Recife e Governo do Estado e para exigir à Polícia Civil e à Justiça a punição dos responsáveis, foi criado um abaixo-assinado online.

Mais de 500 pessoas já assinaram o documento, uma petição pública que será entregue ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) como denúncia popular. A mobilização foi iniciada pelo estudante de direito Mário Filipe Cavalcanti, que pretende encerrar a coleta de assinaturas nesta terça-feira e entregar o documento ao MPPE nesta quarta-feira.


Confira o texto do documento na íntegra:


Denúncia ao MPPE contra a CELPE e PCR em razão das mortes por eletrocussão em Recife
Para: Exmo. Sr. Procurador-Geral de Justiça do Estado de Pernambuco

É público e notório que em todos os anos, ao início do inverno, dezenas de pessoas morrem nas ruas do Recife, eletrocutadas em razão de fiação exposta ou simplesmente descapada, seja de alta ou baixa tensão. Na avassaladora maioria dos casos, as vítimas apenas andam na calçada, passeiam com seus cães ou mesmo atravessam a rua.

Como se não bastassem as vítimas de todos os anos, esse inverno de 2015 já conta com duas mortes em menos de 5 (cinco) dias: na Av. Cruz Cabugá, 28/06/2015, no passeio público, ao lado de grande Shopping Center (Tacaruna) e no Bairro do Recife, 03/07/2015 (próximo ao Marco Zero – área de grande circulação de pessoas).

Assim, abaixo assinamos esse Documento para entrega ao Exmo. Sr. Procurador-Geral de Justiça do Estado de Pernambuco (MPPE) para abertura de inquérito civil e responsabilização da CELPE, bem como da Prefeitura da Cidade do Recife, na medida das suas responsabilidades.

Mortes recentes - Na noite da sexta-feira passada, um homem morreu depois de levar um choque no cruzamento entre as ruas Mariz de Barros e Vigário Tenório, Bairro do Recife. Isaías Pereira da Silva teria pisado em uma caixa de fiação subterrânea de iluminação pública que fica instalada ao lado do poste. A caixa teria sido aberta por comerciantes da região. O caso acontece menos de uma semana depois da morte de Anderson Ferreira, 22 anos, que morreu no domingo anterior, após tocar em uma fiação na Avenida Cruz Cabugá.



terça-feira, 7 de julho de 2015

TCU aponta irregularidades em financiamento para metrô de Caracas.

BNDES impulsionou Odebrecht na Venezuela


Funcionários da Odebrecht realizam manifestação de apoio a executivo da empresa preso - Fabio Braga/Folhapress
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SÃO PAULO - A Construtora Norberto Odebrecht atua na Venezuela desde 1992, mas os negócios da construtora baiana ganharam impulso graças aos financiamentos liberados pelo BNDES ao país vizinho. A preocupação do governo brasileiro com os negócios da construtora fica evidente em despachos da embaixada do Brasil em Caracas, entre 2003 e 2010, obtidos pelo GLOBO. Neles, os diplomatas tratam as obras da empreiteira como “projetos de grande interesse”.

Um relatório de gestão do embaixador brasileiro em Caracas Antonio Simões dá uma mostra da ação agressiva do Brasil para financiar os contratos de empreiteiras. “A carteira de contratos de serviços de empresas brasileiras na Venezuela subiu de US$ 9 bilhões, quando cheguei em fevereiro de 2008, para US$ 20 bilhões, no final de 2009”, disse ele.

CONTRATOS DE US$ 12 BILHÕES


Em março de 2009, a presença da na Venezuela era tão significativa que a embaixada brasileira destacou em comunicado oficial que “a carteira da Odebrecht chegava a US$ 10 bilhões, sendo que a operação da empresa baiana na Venezuela já superava a no Brasil”. No mesmo ano, a embaixada frisou depois que a construtora alcançara contratos de mais de US$ 12 bilhões. Entre os projetos estavam o metrô de Caracas, “quase o dobro do metrô de São Paulo”, e a ponte sobre o Rio Orinoco.

Simões disse que a boa relação entre os dois países foi favorecida pelas “circunstâncias políticas extremamente favoráveis, sobretudo as afinidades pessoais entre os presidentes Lula e Chávez”. Em 2009, segundo as mensagens da embaixada, as empresas brasileiras pleiteavam do BNDES US$ 10 bilhões para viabilizar empreendimentos na Venezuela, o que levou o banco a pedir que o governo de Chávez indicasse suas prioridades.

Em abril deste ano, um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou irregularidades no contrato de financiamento da obra do metrô de Caracas. Para executá-la, a Venezuela teve financiamento de US$ 747 milhões do BNDES. Para o TCU, o governo venezuelano obteve do banco mais dinheiro do que precisava, sem as garantias necessárias.

ODEBRECHT: “APOIO NATURAL”


A Odebrecht informou que obteve 70% de sua receita (de US$ 14 bilhões) no exterior em 2014, e que as operações vinculadas a financiamentos do BNDES equivalem a só 14% do faturamento da construtora no exterior. Sobre a ação do Itamaraty e suas embaixadas, frisou que ela é igual para todas as empresas: “A Construtora Norberto Odebrecht informa que os fatos descritos nos telegramas do Itamaraty situam-se no âmbito da missão dos serviços diplomáticos de todo e qualquer país do mundo. O apoio do Itamaraty às atividades de empresas brasileiras operando no exterior é parte natural desta missão.”
(Fonte: O Globo)

O “Programa de Proteção ao Emprego” na verdade autoriza a redução de salário

Vendida como solução para salvar empregos, diante do quadro de extrema crise e muitas demissões, a Medida Provisória é uma demonstração de desespero extremo, pois autoriza às empresas o corte na carga horária E TAMBÉM NO SALÁRIO de seus empregados.



Dilma Rousseff enviou ao Congresso uma Medida Provisória anunciada como salvação dos empregos. Será? Vejamos o que diz a reportagem do G1:
“O Governo Federal enviou ao Congresso Nacional nesta segunda-feira (6) uma medida provisória (MP) que permite que empresas com dificuldades financeiras temporárias reduzam a jornada de trabalho dos funcionários. O Programa de Proteção ao Emprego (PPE) propõe diminuir em até 30% as horas de trabalho, com redução proporcional do salário pago pelo empregador.” (grifos nossos)
A incompetência do governo criou esse quadro bizarro: a salvação dos empregos, hoje, passa pela possibilidade de reduzir salários. E não é garantia alguma de sucesso, vale lembrar. E deixa claro que já começaram a entregar não só anéis, mas também alguns dedos, para tentar não perder o braço e o resto do corpo.

Talvez seja tarde demais.

De todo modo, o quadro é esse: Quem ainda não foi demitido, e tiver a sorte de não ser mandado embora, poderá ter o salário reduzido em quase um terço. O programa, seja ele necessário ou não diante do descalabro praticado até agora pelo governo, é muito mais uma proteção às empresas que aos empregados.

Mas é aquilo: lacra o 13 e confirma!